11 de dezembro de 2008

a loja das tentações


como para muitos outros, este foi o meu primeiro filme do manoel de oliveira.
seguiram-se canibais, franciscas, nons, vales e conventos.
não vi caixas, cartas, casos, souliers, viagens, impérios, nem os muitos outros já realizados, mas também nem sempre todos podem ver tudo.
pelo respeito, pelo amor à sua arte - muitas vezes incompreendido e desrespeitado - e pela capacidade de fazer evoluir e renovar o seu cinema, o meu sincero voto de parabéns.
Nota: gostaria de referenciar a autoria do cartaz aqui publicado, mas não encontrei qualquer registo.
Ao autor - se ainda vivo - ou seus descendentes, as minhas desculpas pela omissão.

meio por meio



com o céu assim, as hipóteses de dilúvio não são escassas.
se fosse apostar, diria "meio por meio".
se fosse optar, regressaria a casa.
se pudesse decidir, ficaria sempre assim, denso e luminoso.
são os brindes do inverno.
muitas vezes disse e ouvi, que não há luz como a dos dias de sol de inverno logo após grandes chuvas.

4 de dezembro de 2008

o paradigma das festas de garagem



quando nos solicitam a execução de certas coisas, questionamo-nos...
quando um coberto de estacionamento é elevado à categoria de monumento, intrigamo-nos...
quando argumentam com festas de garagem, regozijamo-nos...
mas que diabo, em que ano estamos?

2 de dezembro de 2008

uma pedra em grãos de areia branca


Não é mais do que um instante, passar o rodo pela areia e posicionar o calcáreo.
suster a respiração e esperar que a mão não trema.
perceber pela fotografia uma existencia negra no meio do mar branco de areia.
soprar e não saber o sucede.

19 de novembro de 2008

maré formosa



luz, sol e sal.
algum vento e a pele curtida.
os rins a sofrer e as unhas roídas.
o palito, qual cigarro desaparecido.
a boina, gorro, carapuço, garruço.
e a ameijoa, se a maré for formosa.

14 de novembro de 2008

proximidades e vizinhanças



o miolo dos quarteirões das cidades sempre foi objecto dos comentários mais variados:
desde nojo execrável a erradicar, até à melhor coisa que alguém já fez em cidade, tudo já se ouviu.
pessoalmente, apenas guardo a memória de muitos quintais, logradouros, hortas e outros que tais, cada um mais pessoal que o outro.
nunca presenciei - nem usufrui - desse "luxo" apregoado pelos defensores do urbanismo do quarteirão, que é o "miolo de quarteirão comunitário".
tudo o que vi foram imagens como esta: sempre proximidade, mas nunca vizinhança, porque tudo mais não é do que um aglomerado de parcelas individuais...

13 de novembro de 2008

no comments



talvez um dia o sangue se torne verde, e estas palavras ganhem sentido.
hoje são apenas o gesto irreflectido de quem não gosta de paredes brancas.