29 de novembro de 2011

a verdade será sempre revelada

A vida de grandes artistas como Pascal Danguin - pixel perfect - está de certa forma comprometida.

De acordo com um estudo publicado, agora é possível descortinar quando houve intervenção digital na modelação e tratamento de rostos em fotografia digital.

Vide ...retoques-a-famosos... , in Público de 29 de Novembro 2011.

Para quem não sabe, Pascal Danguin será talvez o expoente máximo do "retoque", do "melhoramento", do "photoshop", do "alisar as curvas do rosto", do "refirmar o pescoço", do "dar brilho à pele".

Todos os meses, várias capas de revistas de moda famosas passaram pelas suas mãos.
Nessas mesmas revistas, muitas das fotos publicitárias passaram pelas suas mãos.
A magia da cosmética está muitas vezes a dois toques do seu rato...

Não encontro muitas fotos explicitamente associadas ao seu nome, embora sejam publicas várias fotos da autoria de Annie Leibovitz.

Pascal é o homem-sombra, o ghost writer de muitos fotógrafos.
Podemos dizer que a fotografia digital adulterou a captação da imagem.

Mas há muitos, muitos anos, eu ouvi Sebastião Salgado dizer que muita da qualidade do seu trabalho provinha de quem lhe fazia as tiragens em laboratório.

Há ainda mais anos, Ansel Adams passava semanas a acertar tempos, densidades, exposições, máscaras, para tornar ainda mais deslumbrantes as deslumbrantes paisagens que captava.

Será que as adulteravam?

Podemos falar em publicidade enganosa se exibimos uma ausência de rugas que é manipulada, mas existem tantas outras coisas em que somos enganados, e não nos queixamos assim tanto - são tudo questões de mercado. Apenas temos que aprender a questionar tudo o que nos é apresentado como certo.

As imagens que anexo (acho que) não são de Pascal Danguin, mas ilustram bem tudo o que aqui se trata...




fotos retiradas de www.afterphotoshop.com

28 de novembro de 2011

fado...

Ontem foi proclamado  o "fado" como património imaterial da humanidade.

Não sei transmitir por palavras o que sinto quando oiço, nem sinto assim tanto para o cantar sem o conseguir.

Por isso, optei por escolher alguns que me tocam particularmente...


Carminho - Escrevi teu nome no vento


Camané - Sei de um rio


Carlos do Carmo e José Carlos Ary dos Santos - Estrela da tarde

27 de novembro de 2011

26 de novembro de 2011

24 de novembro de 2011

celebrar a vida






























Cumprem-se agora, mais precisamente hoje, 152 anos sobre a data da publicação da primeira edição de On the Origin of Species, by means of Natural Selection, da autoria de Charles Darwin, numa confidencial edição de 1250 exemplares, rapidamente esgotados.

Não me recordo de nenhum outro livro tão importante para a fundamentação da nossa humanidade, a nossa posição no mundo e a nossa relação com a restante natureza. Não sou biólogo - nem almejo ser - e como tal não disponho de mais conhecimentos sobre a matéria do que quaisquer outros humanos minimamente cultos.

No entanto, e com a proliferação de teorias criacionistas, sempre relacionadas com confissões religiosas, questiono-me se Darwin teria razão.

Se o ser humano, como todos os outros seres vivos, evolui e adapta-se, como justificar querer continuar a pensar como se pensava há muitos séculos atrás?

A negação do conhecimento é a negação da evolução, mas ainda há quem considere que evoluir é negar as evidências científicas.

Aliás é preferível acreditar que existe uma "entidade" superior, omnipresente, que tudo vê e assimila, com uma memória e um sentido crítico e de justiça que suplanta todos os sistemas de justiça criados pelos homens, que nos castigará "quando chegar a nossa hora", do que reconhecer que Darwin tinha razão e que nós não descendemos todos da costela de Adão e do pecado original (e porque terá sido pecado o pecado original?).

Charles Darwin demorou vários anos (décadas) a consolidar as suas teorias, a experimentá-las e a justificá-las.
Provavelmente desconfiava que não seria fácil contestar o criacionismo. Para o fazer tinha que ter certeza...

23 de novembro de 2011

a vida pela metade

cortado ao meio, foi como sobrou, para alguns, a ajuda de Natal.

Cortado em dois, é como nos sentimos, com a multiplicidade de problemas que se acumulam,

Mesmo banais, momentâneos, esporádicos, todos os problemas ajudam a complicar uma vida já muito complicada... cortada em dois...

22 de novembro de 2011

o fogacho do iluminado


























Num filme infantil recente (embora não tão infantil quanto isso...) é dito que os pavões deram à China, e ao mundo, o Fogo de Artifício.

Num outro "filme" de divulgação mais comedida (mas este sim, bastante mais infantil), um outro pavão - ilhéu e de uma espécie rara - pretende continuar a dar Fogo de Artifício aos seus conterrâneos, mas sem ser ele a pagar... remetendo a conta para os não ilhéus, seja na versão "cubana", "continental" ou europeia...

O episódio - mais um - poderia ter graça, se não fosse caro.
Devemos sempre rir, e até de nós próprios. Faz bem à alma, alivia tensões, e remete-nos sempre à nossa real posição.
Em tempos de crise faz ainda mais falta rir, para ajudar a ultrapassar as crescentes dificuldades que não se conseguem esquecer.

E é por não esquecer as dificuldades, que custa continuar a aceitar os devaneios de um certo pavão, cujas penas perderam a cor e caíram há já vários anos.

A iluminação de Natal e os 12 minutos de Fogo de Artifício da cidade do Funchal vão custar cerca de 3000000 de Euros (com os zeros todos é mais bonito...). Cerca de 18 vezes mais que o somatório de todos os gastos em iluminação e festejos de todas as capitais de distrito do país...

Haja vergonha!


A foto é do Fogo de Artifício de Lisboa, na zona de Belém, na madrugada de 1 de Janeiro de 2010. 
Não tenho fotos do fogacho do Funchal...


20 de novembro de 2011

tolerância dominical


























Qual casa permanentemente em construção, lembro-me deste mesquita, catedral, onde várias confissões se fundiram ao longo dos últimos séculos...

18 de novembro de 2011

A explicação filosófica







Sem palavras!
Só tenho pena de não ter sido eu, um devoto apreciador de robalos e de alheiras, a lembrar-me de os cozinhar deste modo...


Composição gráfica de autor que desconheço, retirada de uma mensagem de correio electrónico.

17 de novembro de 2011

"amai o próximo como eu vos amo..."




























A confissão católica romana tem como base da sua doutrina algumas frases meritórias:

"Se te baterem, oferece a outra face..."
"amai o próximo como eu vos amo..."
"sangue do meu sangue..."

Tudo subjacente a uma doutrina que, se levada à prática, resultaria na melhoria do bem de todos, mesmo que em consequência de algum sacrifício pessoal. 

Em busca de um pouco de melhoria desse bem comum, a fundação UnHate tem desenvolvido algum trabalho meritório, ainda que por vezes polémico. O mais recente, consistiu na divulgação de algumas fotos impossíveis - resultantes de fotomontagens - onde figuras de reconhecimento mundial beijam os seus "oponentes", para incitar à reconciliação entre partes discordantes.

Nalgumas situações, o trabalho de edição fotográfica é de tal modo excelente que toda a pose passa por verídica. Noutras confesso que a imagem soa a falso desde o primeiro vislumbre.

De todas as que vi, aquela de que gostei mais foi a que aqui apresento.

Mas eu não estava a pensar falar disto, e dar mais cobertura a campanhas polémicas - por mais meritórias que sejam - se a Santa Sé não tivesse tomado a opção de repudiar veemente o facto e contestar oficialmente esta mesma imagem, representando o Papa Bento XVI a beijar o Imã do Cairo, levando assim a que a mesma seja retirada da campanha.

No fundo, o que a Igreja está a dizer é que se recusa a ceder para se reconciliar, seja com o Islão, seja com o ódio, seja com a própria Benetton. Só falta agora adoptar a posição mercantilista de querer ser ressarcida financeiramente pelos "prejuízos" morais resultantes desta campanha.

Foto publicitária em favor da Fundação UnHate, da autoria de alguém que eu desconheço e que gostava de identificar.
Provavelmente estaremos perante a edição de fotos originalmente presentes em bancos de imagens, editadas por alguém que não descortinei.

16 de novembro de 2011

15 de novembro de 2011

today's work


































Uma foto antiga do que tem sido a minha ocupação nestes dias...

14 de novembro de 2011

é o património, estúpido...




Por vezes oiço dizer que uma das nossas grandes riquezas é o nosso património, material e imaterial, seja arquitectura, literatura, música, paisagem, ou apenas a nossa maneira de ser, a nossa "cultura".
Mas quando vejo exemplos destes, pergunto que povo é este que deixa cair pontes - várias pontes - com vítimas por vezes mortais - às vezes muitas vítimas!

Recordo-me do telefonema em directo para um telejornal, do ex-autarca de Castelo de Paiva, quando caiu a ponte do seu concelho, e a sua expressão de pânico e desespero impotente para poder fazer o que fosse. Ele bem apelou e pediu, mas só teve ajuda para encontrar os restos mortais de algumas vítimas - e nem todas apareceram...

Que povo é este que se deixa governar por quem não o governa, e apenas se preocupa com uns números, que nunca são os mesmos. Já foram os quilómetros de auto-estrada, os milhões de subsídios angariados, o número de deputados da assembleia da república, o percentual de defícite público, a taxa de juro da dívida soberana, o número de funcionários públicos (que à falta de melhor, "é esperar que morram!...").
Perder património assim é perder memória. 
Sempre me recordo de ouvir que a nossa memória, a nossa história, o nosso know-how são bens imateriais incalculáveis e demasiado importantes para serem desbaratados. Mas parece que este argumento só prevalece quando é necessário comprar submarinos para que cem marinheiros - cuja valia e dedicação não deve ser desmerecida - não desbaratem o seu know-how.


Foto de autor não identificado, retirada de http://www.abola.pt










12 de novembro de 2011

na teia




































apanhados numa teia difusa, que nos envolve e comprime, asfixiando.

crentes na vinda de um anjo salvador que nos liberte da dita, sem pensar que anjos e fadas só nas histórias do faz-de-conta.

10 de novembro de 2011

O meu rio é mais bonito...





Reno II, de Andreas Gursky, está - por enquanto - na história como a mais cara fotografia de sempre.
Acabada de leiloar na Christie's pela bagatela de 4,3 milhões de dolares, na sua versão original com cerca de 3,5m de comprimento (tiragem colada em acrílico - incluindo o acrílico...).

Sem retirar mérito técnico e artístico a Andreas Gursky, estamos a falar de uma verba astronómica.

A única coisa que me apraz dizer é que o "meu" rio é mais bonito...

Nota: Há alguns anos atrás, um grupo de fotógrafos lusos reuniu-se e fez uma tiragem de cerca de 50m de uma panorâmica do Tejo e de Lisboa, mas não creio que tivessem angariado uma tão grande maquia.

Fotografia (obviamente) de Andreas Gursky, retirada de uma notícia em http://www.theatlanticwire.com.


9 de novembro de 2011

8 de novembro de 2011

"...do meu sangue"















Visceral, das vísceras, tripas, "guts".

O mote é o amor incondicional.

A concretização é magistral!

Poucas vezes senti em cinema o "murro no estômago" que este filme transporta.
A inevitabilidade da tragédia acontece porque a realidade está muito para lá da nossa capacidade criativa de recriar.

Nas palavras do próprio realizador, "a história de uma mãe que arrisca perder a filha, para a salvar, e de uma tia que, para salvar o sobrinho, se perde..."

"Sangue do meu sangue, de João Canijo, simplesmente imperdível!


Foto promocional do filme, de autor não identificado, retirada de www.setimarte.com

2 de novembro de 2011

Laforet

























Vincent Laforet era-me desconhecido.

O Primm Valley Golf Club também.

Não é difícil perceber que esta fotografia merece ser vista, emoldurada, premiada, discutida.

O que é difícil de perceber é que, no deserto do Nevada, perto de Las Vegas, se tenham lembrado de outro non-sense. Não bastou criar uma cidade do nada, apenas porque assim se conseguia contornar a lei vigente e tornar o jogo legal, como agora criam campos de golf onde até os cactos têm dificuldade em sobreviver.

Não sei se existe algum milagre técnico que permita compensar financeiramente este desvario, ou se tudo é apenas muito bem pago por quem pode.

Apenas sei que enquanto se discute a escassez de água algures no mundo, se desperdiça em rega aqui no meio deste nada!

Adenda: O Primm Valley Golf Club localiza-se no deserto do Nevada mas na Califórnia, junto à fronteira do Estado.
É perto de Las Vegas, porque Las Vegas é muito próxima da fronteira do Estado...
Não é o único campo de Golf do género, em pleno deserto.
Existem vários na região de Las Vegas.
Existem inclusivamente 3 em redor do aeroporto central.

Algumas das quadriculas de urbanização da cidade são loteamentos que se desenvolvem em redor de campos de golfe. Outras quadrículas são apenas campos de golfe.
Eu tentei contá-los, mas são tantos que não consegui.
Desconfio mesmo que estes em pleno deserto serão muito mais baratos para quem joga.
Desconfio também que este em particular, por estar no Estado da Califórnia, deve dispor de condições/apoios que o permitam ser mais concorrencial (quem não gostaria de fixar a população no interior...)


A foto é de Vincent Laforet http://www.laforetvisuals.com/ e representa uma vista aérea do Primm Valley Golf Club. A foto faz parte de uma série intitulada Earth e está disponível para compra a partir do website de Vincent Laforet.

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1 de novembro de 2011