20 de maio de 2009

isto não é o texas, nem a palestina... muito menos o iraque



o ritmo,
a profundidade,
a cor.

poderiam ser tiros,
mas são apenas golpes de ponteiro...

grande pedreiro

19 de maio de 2009

a boca de um anjo


ele não caíu,
nem tombou.
e,
infelizmente,
não se partiu...
este anjo será chinês,
ou de algum arredor oriental.
lábios pintados com destreza feminina,
por vezes escrava
- se não do corpo, do relógio.
destreza esquecida quando se regateiam os dois três tostões do custo do menino.
lábios vermelhos, com destreza feminina
e brilho, muito brilho
lábios vermelhos...
eu não parti este menino - nem ninguém
- e ele ainda sobrevive eternamente menino, qual virgem maria, eternamente virgem,
eternamente

14 de maio de 2009

o último toque



e pronto
temos animal!
foram duas semanas de imobilidade aparente, com o organismo a reestruturar-se por completo.
a beleza continua a não ser muita, mas pelo menos ganhou asas...

para o ano há mais.

9 de maio de 2009

renovar... estando longe



a disponibilidade fisíca e mental não tem sido muita.
as imagens não fluem e a mente não voa,

o discernimento ausenta-se e a nossa existência resume-se a sucessivas sequências mecanizadas de rotinas e procedimentos padronizados, inquestionáveis, imutáveis, intocáveis.

gritar é uma opção, mas de poucas consequências práticas.

fugir não é opção, e tem muitas consequências drásticas.

renovar, estando parado talvez provoque alguma mudança...
esperemos!

4 de maio de 2009

o obituário do vasco

temo estar a repetir muitas outras frases do dia;
temo até não ser honesto e sincero com esse receio.
o vasco, cuja idade eu esquecera, cresceu muito, mas nunca envelheceu.

devo-lhe muitas horas de alegria
e muitas horas de espanto e surpresa.
enquanto petiz queria o rato e o donald, e ele presenteava-nos com a escola de zagreb, o experimentalismo canadiano e as colagens dos checos.




hoje, em que animação na tv é pouco mais do que anúncios de redbull, recordo com saudade aquele que partiu e que nunca vou esquecer.

recordo as origens de muita da nossa melhor animação; do gato e da lua; do final feliz; da suspeita


só tenho pena que as minhas filhas não tenham nas suas memórias de infância alguém como ele.


muito obrigado, camarada vasco.

desenho de Luis Diferr para o livro "Vasco Granja, Uma vida...1000 imagens" e foto de Bruno Barbosa

3 de maio de 2009

ponto de fuga



depois de vários quilómetros, o vento parou.
o levante, o cheiro, a suavidade do areal...
elas despiram-se e foram à água.
eu olhei o poente que se anunciava.

não creio ser vidente,
mas momentos destes não surgem muitas vezes.

1 de maio de 2009

a formiga sem carreiro



desconheço a variedade, mas andavam loucas sobre a casca do pinheiro.
totalmente desgovernadas,
sem "trambelhos"...